sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O hábito faz o hábito




Acabei de comprar, de conhecer, de sentir, de ver, de cheirar, de tocar, experimentar, provar...
Foi a primeira vez.

Fez-me sentir aquele aperto no estômago, aquele nervosismo, que me impeliu a esboçar um sorriso e um suspiro. O sorriso traz no seu traço um toque de incredibilidade, e o suspiro no seu leve vento, um instante de realidade. Cruzam-se num dos momentos tão únicos quanto raros, por entre tantos outros ao longo de uma vida...igualmente raros em tempo útil de vida de si mesmos.
Foi uma primeira vez.

Tento reter na memória tanto quanto a vontade consegue. A vontade de não esquecer é quase tão forte quanto a certeza da efemeridade daquele momento.
Sei que o tempo irá diluir esta experiência até à condição de uma fotografia esbatida, sem cor e com o seu recorte frágil e gasto.
Até ter sido só mais uma primeira vez...até vir o hábito, a nossa condição humana.

É como uma droga, em que para sentir o seu efeito, aumentamos sucessivamente a dose, até ao limite.....e para além deste.

São assim as nossas primeiras vezes....em tudo o que somos e queremos ser.