sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

E começou mais uma etapa da minha vida.



Para ilustrar este meu ano, vou contar uma história que eu acho que foi sendo o meu pensamento ao longo destes últimos largos meses. Só me lembro da moral da coisa e portanto, caso já conheçam este conto, peço que me desculpem mas vou usar palavras minhas, eventualmente diferentes da versão original. É que desde que fui picado pelo bloggobicho, tenho a mania de escrever.

Um professor de Filosofia entra no anfiteatro. Trás consigo um frasco de vidro transparente e um saco pesado a tira-colo. Ao chegar ao pé da sua secretária, cumprimenta os alunos, coloca o frasco em cima da mesa e retira-lhe a tampa.
Depois, retira de dentro do saco algumas pedras de um tamanho ainda considerável e coloca-as dentro do frasco até chegarem ao topo. Admira o frasco, e passados alguns momentos, ergue-o perante a sua audiência e pergunta: “Meus caros, creio que este frasco está cheio e que já não cabe mais nenhuma pedra dentro dele. Concordam?”
Ao observarem o frasco com pedras até ao cimo, eles concordam de forma unânime.
Após uma pausa, o professor retira de dentro do saco um conjunto de pedras mais pequenas e começa a colocá-las dentro do frasco. Elas passam por entre os espaços das pedras maiores e vão-se depositando uma após outra, desde o fundo até à boca do frasco. Depois de mais uma pausa, o professor exclama: “Com a breca! Parece que afinal o frasco não estava cheio! Ainda coube mais qualquer coisa...” Após olhar os alunos com um meio-sorriso, inquire novamente: “E agora? Acham que já está cheio?” Os alunos dizem em uníssono: “Sim, agora é que está cheio!”
O professor recorre uma vez mais ao seu saco e retira um pouco de gravilha e fá-la cair para dentro do frasco. Ela preenche os espaços deixados pelas pedras grandes e pelas pequenas, vai-se depositando no fundo e chega até ao topo do frasco. Novamente, ele pega no frasco e pergunta: “Parece que agora é que é! Não há dúvida alguma que não cabe mais nada neste frasco, não é assim?”
Lá ao fundo do anfiteatro nas últimas cadeiras está sentado um aluno mais desenvolto que exclama: “Não está não! Se agitarmos o frasco com força, consegue colocar mais gravilha.” E assim o professor faz. Agita o frasco e a gravilha condensa-se um pouco mais no fundo, deixando algum espaço no cimo do frasco. O professor diz: “Muito bem. Tinha razão. Vou encher então o frasco.” Depois de colocar a gravilha, volta-se para esse aluno, que mostrava sinais de ter sido insuflado com cagança do melhor lote e qualidade e pergunta-lhe: “Então e agora. O que acha? Está realmente cheio? Não cabe mais nada?” O aluno ajeita-se na cadeira, cruza as pernas e diz com um tom confiante: “Sim, agora é que já não cabe mais nada.”
É então que o professor retira do saco dois punhados de areia e começa a vertê-la para dentro do frasco. Facilmente ela começa a preencher os espaços deixados livres pelas grandes pedras, as pequenas pedras e a gravilha. Ele agita um pouco o frasco para que a areia se condense e não deixe espaço visível que possa ser preenchido. Enche-o até acima. “E agora?” Pergunta ele. Desta vez, apenas se ouviam murmúrios. Enquanto uns comentavam baixinho entre eles que agora é que era impossível colocar fosse o que fosse dentro do frasco, outros deixaram espaço para hipóteses que viessem a seguir.
“Quem tem a certeza de que agora é que já não cabe mais nada no frasco?” Mais de metade colocou o braço no ar a concordar com o facto de que já nada cabia ali dentro.
O professor abandona a sala sem dizer nada. O silêncio instala-se por uns instantes. Os alunos olham uns para os outros e não tarda muito até o silêncio se transformar em suaves burburinhos, depois murmúrios, depois conversa e depois acesa discussão, que ia aumentando de volume até o professor voltar a entrar na sala. Fez-se novamente silêncio. Vinha com um copo de água na mão. Sem nada dizer, entornou a água para dentro do frasco, esvaziando o copo.
“E agora? Alguém continua com certezas de que o frasco está cheio?”

A moral que retiro desta história é muito complexa. Dá-nos uma perspectiva do que serão as nossas certezas, as nossas convicções, a nossa realidade. É a realidade que temos como única e indiscutível. É a verdade que impomos ao outro e que nos serve de base para julgarmos tudo e todos. Se a verdade, a minha, sofre fortes mudanças de quando em vez, como posso eu assumir que ela é imutável e indiscutivelmente uma só tanto para mim como para todos os outros que me rodeiam?
Por outro lado, podemos ir um pouco mais longe e comparar essas pedras às nossas ilusões, às nossas desilusões. Pensamos sempre que a situação não poderia ficar pior. Depois vêm os momentos que nos mostram o contrário. Pensamos que já batemos no fundo. Mas a vida chicoteia-nos um pouco mais, e mais. E é quando as nossas costas já estão praticamente desfiguradas e a dor é tão forte, que esta se transforma em anestesia e então conseguimos parar de nos lamentarmos e dar lugar à introspecção e análise. Nenhum momento é o pior. Há sempre algo pior que pode entrar no nosso frasco. Porque então não gozamos a vida tal como ela se mostra? Porque não aproveitamos nós os espaços que restam entre as tais pedras em vez de culpar quem as coloca no nosso frasco? Se vivermos com a certeza de que o frasco não está cheio ainda, veremos hipóteses, possibilidades, e não apenas obstáculos. Só então conseguiremos ser verdadeiramente felizes com o que a vida nos oferece.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Encruzilhada


Hoje é dia de reflexão. É dia de fazer contas aos passos que dei, aos caminhos que percorri nestes 34 anos de vida. Nestes longos mas tão curtos anos que vivi, por vezes fiz escolhas, noutras fui encaminhado por outras vontades que não a minha e aqui vim parar. Vim dar a este momento, a esta encruzilhada no meio do nada, depois de tanta coisa que vi e senti. Sinto-me num caminho que vai ardendo atrás de mim, deixando apenas cinzas sem tradução nem significado. Com uma leve brisa, tudo esvoaça, levanta-se no ar numa bruma meio esbranquiçada que me turva os sentidos para depois desaparecer. À minha volta fica tudo limpo outra vez. Limpo, mas vazio. Um vazio angustioso.

Sento-me bem no meio desta encruzilhada, fecho os olhos e reflicto para perceber por onde andei, para achar uma razão. Reflicto na esperança de conseguir decidir, desta vez, o melhor caminho a seguir. Para que o caminho atrás de mim não se incinere e se transforme uma vez mais em pó e em nada.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Ainda há por aí sorrisos-criança que nos contagiam e alegram.
A eles, a minha retribuição:


David e Golias


Desde que me conheço que sou criança. Cresço apenas quando empurrado pela vida e só na medida certa para conseguir lidar com o que se demonstra diferente do conto que criei enquanto aprendia a caminhar. Infelizmente, este Natal fez-me crescer mais um bom bocado. Fundiu-se a luzinha vermelha no nariz do Rudolfo. Sem ela, o caminho ficou mais escuro e o jogo de luzes esbateu-se para um quadro grayscale de 8 bits por canal.
Recorro à memória para trazer à tona sensações que me devolvam aquele olhar vivo e cintilante como quando me deitava mesmo por baixo da árvore de natal decorada com mil cores, artefactos e outras tantas luzes. Aí ficava horas, com luzes apagadas, portas fechadas e persianas totalmente corridas, admirando cada ramo decorado, sentindo o cheiro a resina, alterando com a imaginação cada sombra que se projectava no tecto e nas paredes que iam e vinham tal como uma projecção de slides de uma qualquer história fantástica com o já tão certo final feliz que as caracterizam. Era com este espectáculo que me conseguia conter de modo a não abrir qualquer presente até às 00h01 do dia 25 de Dezembro. Para mim, a magia do Natal não começava nessa meia-noite. Para mim, essa era a meia-noite em que acabavam os momentos debaixo da árvore, rodeado de embrulhos, luzes, e pensamentos de pura magia. Essa era a meia-noite em que algumas agulhas já começavam a cair lá do alto e se iam juntar ao algodão que ladeava o pequeno presépio de louça e barro. Os embrulhos serviriam para atenuar essa sensação de que mais um período mágico passava. Era a compensação, a troca do fantástico pelo material.
Neste Natal, senti que perdi qualquer coisa de mim. Vi-o de uma forma muito diferente. Vi-o como tenho visto a vida nestes últimos anos. Como algo de passagem, sem grandes sentidos nem significados mas que nos empardece por fora e nos dilui por dentro.
Contudo, certos instantes param-nos no tempo, abrilhantam-nos os olhos e aquecem-nos a pequena alma de criança que ainda temos em nós. São estes pequenos momentos “Davides” que derrotam o grande “Golias” de todo o resto da nossa vida. São momentos sonhadores, que nos dão força para acreditarmos que ainda vamos a tempo de reverter este processo de maturação…chamemos-lhe correctamente pelo nome…de envelhecimento. Quero ser criança, todo eu. Quero morrer ainda criança, sem mais nada de velho que não seja a pele que me reveste e uns cabelos branco-neve. Criança, no olhar, no sonhar e no sentir. Em tudo o que significa ser, existir, viver…até já não poder ser.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Ainda a propósito de mudança




Há uns anos atrás li um livrinho que se chamava "who moved my cheese" que em português foi traduzido para algo parecido com "Quem mexeu no meu queijo".

Trata-se de uma feliz história de dois ratinhos (e duas minimini pessoas) num labirinto em busca do seu queijo....seu, deles, é claro. Mas cada um de nós tem o seu labirinto-vida e o seu queijo-objecto/objectivo-de-vida. Cada um tinha uma forma diferente de encarar a necessidade de explorar e mudar.

Se bem me lembro, na altura da sua leitura, tirei algumas lições de sobrevivência em ambientes labirinticos. Para além das principais conclusões que tirei, consegui ainda encher a minha secretária com largas dezenas de pequenas lições diárias de partes dessa aventura que vinham num calendário que me ofereceram (tal foi o entusiasmo com que recomendava esse pequeno livro a quem eu achava que ainda não tinha visto a mudança como quem vê o labirinto por cima, e não por dentro).

É pena a minha memória não conseguir gravar de forma indelével pelo menos metade das lições que aprendo neste labirinto. Talvez já tratasse a mudança por tu. Talvez o meu sorriso fosse outro e as rugas de expressão que me começam a caracterizar fossem mais visíveis junto aos lábios e não tanto na testa e entre os olhos. Talvez fosse um sorriso mais genuíno e menos conformista.

Encaramos sempre a mudança como um jogo de trapézio com alguém do outro lado em quem não confiamos, como algo que nos fará perder o chão que nos suporta e a toda a pesada bagagem do passado. Procuramos mudanças com certezas, que não nos façam deambular à procura de um caminho aberto e possível. Queremos um GPS actualizado com todos os becos sem saída e sem queijo, de forma a evitá-los e a não perder tempo nesta vida que julgamos tão longa e certa. Queremos ir de Queijo em Queijo sem nos apercebermos que é na procura que matamos a fome da nossa essência e razão de ser. O queijo deve servir como combustível para nos movermos nos meandros deste labirinto de 3 dias e não como objectivo em si.

Bom, escrevi muita coisa e não disse nada. Talvez noutro dia a coisa possa fazer mais sentido. Outro dia, outras coisas, outrta forma de ver e viver a vida.


terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Momento Chá das 17h

Tudo é para sempre até ao preciso instante em que se dá a mudança.

Thai, a terra livre

Foram uns dias bem iguais a tantos sonhos que tive. Aprende-se sempre tanto....quase tanto quanto se esquece ou é remetido para o cantinho salva-esperanças lá bem no fundo da nossa memória. Eis alguns momentos tirados na altura R.E.M.






segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

De Regresso

O que custa no facto de ir, é a sensação do regresso, no regresso. A ida é a subida e quanto mais se sobe, mais forte será a sensação de descida. O problema das sensações boas, é que viciam e nos habituam a determinados estímulos. Passam a ser o nível zero, o rés do chão e tudo o que estiver abaixo disso é apenas digno de ser encaixotado e arrecadado.
É esta a essência do ser humano, sempre insatisfeito com o que já foi, sempre a viver com necessidades do devir. Aquele ditado que diz que apenas o momento interessa, deveria ser a nossa regência...mas não. O que passou, passou e já não pode ser vivido. Quem vive sobre o que já não é, agarra-se a uma fatídica âncora que nos mortifica e nos tira a essência do que devemos ser. Quem apenas se satisfaz com o que há de vir, vive no fantástico e no etéreo. Vive sem corpo e alimenta-se das reservas da alma. Esgota-a com esperanças sem raíz nem propósito que realmente nos satisfaça. Viver no presente é uma arte. A dificil arte da simplicidade. São os povos mais simples que o fazem com maior facilidade. A pobreza de um estado material desprovido de quase tudo o que se vê, parece ser inversamente proporcional à riqueza de um estado mental vazio de tudo o que não interessa à nossa evolução. A real pobreza vem do vício da aquisição, da compra de tudo o que se consegue converter em dinheiro. Tudo o resto é esquecido. Mas esse resto é o que realmente importa.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Dion'isio

Bem, há uma vez para tudo....hoje já me chamaram Celine Dion!

Vou ter que me retirar durante uns dias, talvez uma semana ou assim, para ver que benefícios poderei tirar deste momento....

até ao meu regresso!

:o)

A alma e o espelho

A alma olha-se, revê-se a si própria no reflexo de um espelho que tem à sua frente e que a acompanha permanentemente, servindo as vezes da sua inexistente consciência.
Ela atenta à sua forma, ao aspecto geral da sua silhueta, e sente a sua própria força e expressão reflectida naquela superfície. Os pormenores, esses perdem-se no seu âmago, e tal é a sua complexidade que apenas as sensações são capazes de a traduzir e materializar de alguma forma. A visão de nada serve no seu mundo de pormenores. Aqui, os seus reflexos são sentidos, não vistos. A visão confunde a consciência. Espelha o que se vê, não o que é. O melhor reflexo da alma é o que se observa quando se fecham os olhos, quando o sentimos a preencher-nos até ao mais profundo e recôndito átomo do que nos constitui. A alma é a ligação ao suposto real, ao todo e ao tudo que é. É a ponte para qualquer lado ou parte que se queira alcançar. É a alma que detém o corpo, não o contrário. É ele o reflexo que se vê no espelho que a acompanha.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Old Saying


"Os anos e os maus vícios enrugam-nos a pele mas a tristeza enruga-nos a alma"

(quando me lembrar de quem é este adágio, eu boto aqui os devidos créditos)

.....e agora??

Pronto. Já tenho um blog.

...então e agora??