
- Bom dia
- Bom dia, posso ajudar?
- Sim, eu andava à procura de respeito.
- Olhe, está com sorte...acabámos de receber um carregamento de respeito mesmo há pouco. Qual é o seu número?
- Costumo ter a noção de respeito n.º 4
- Muito bem, vou lá dentro buscar porque o respeito n.º 4 não é muito comum. Aqui no expositor só tenho respeito n.º 2 e 3 e na montra só há n.º 1. Volto já.
(…)
- Pronto, aqui tem a sua noção de respeito n.º4
- Tem a certeza que este é o n.º 4? Parece-me um pouco diferente…
- É da nova embalagem. Estão a tentar fazer sair os últimos. Sabe, este respeito já é um pouco antigo e não tem muita saída. Têm produzido novas noções e esta já está um pouco desactualizada em relação às expectativas e ao ritmo social de hoje. Já não se procuram noções tão fortes e sólidas…são um pouco pesadas para se carregarem para todo o lado. Hoje em dia, prefere-se um respeito mais leve e flexível, que se adapte a várias situações. Aquele respeito universal, como o n.º 4, é demasiado rígido e forte em todos os sentidos.(...)
...respeito, é bonito.
É algo essencial e precioso.
Mas como fazer ver esses tantos que andam por aí, que não é algo out-of-the-box que se pode adquirir à vontade do freguês?
Freguês, só o da vida!....e não, "Vida" não é o nome de uma outra loja de produtos naturais e biológicos da moda. É vida-facto-caminho-tempo-e-espaço....não se compra.....vive-se e merece-se...ou então não.
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