A alma olha-se, revê-se a si própria no reflexo de um espelho que tem à sua frente e que a acompanha permanentemente, servindo as vezes da sua inexistente consciência.
Ela atenta à sua forma, ao aspecto geral da sua silhueta, e sente a sua própria força e expressão reflectida naquela superfície. Os pormenores, esses perdem-se no seu âmago, e tal é a sua complexidade que apenas as sensações são capazes de a traduzir e materializar de alguma forma. A visão de nada serve no seu mundo de pormenores. Aqui, os seus reflexos são sentidos, não vistos. A visão confunde a consciência. Espelha o que se vê, não o que é. O melhor reflexo da alma é o que se observa quando se fecham os olhos, quando o sentimos a preencher-nos até ao mais profundo e recôndito átomo do que nos constitui. A alma é a ligação ao suposto real, ao todo e ao tudo que é. É a ponte para qualquer lado ou parte que se queira alcançar. É a alma que detém o corpo, não o contrário. É ele o reflexo que se vê no espelho que a acompanha.
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